9 de nov. de 2014

A beleza dói.

Volto hoje a deixar aqui reflexões sobre o indivíduo, a sociedade e meu mundo, de corpo, alma e coração.

E quero recomeçar, falando um pouco sobre o significado da busca ilusória e incansável pela beleza presente fortemente nos indivíduos modernos, cada vez mais vaidosos e perfeccionistas, pessoas acreditando que somente o lado de fora é realmente importante, não valorizando o que se é, mas sim o que se têm em material e aparência, como se isso tudo em conjunto fosse sinônimo de FELICIDADE. Até que estas mesmas pessoas, mesmo tendo tudo isso, não se encontram em paz e as que não tem, vivem para obter estes meios e tudo fazem para tal.
Fator que reflete num processo degradante, desgastante e o que é muito pior, destruidor do ser humano interior e supressor da essência humana e animal que possuímos, nos tornando pobres de inteligência emocional, racional e cada vez mais tristes e incompletos do que jamais imaginamos ser. Eis o momento atual do mundo de aparências a qual estamos inseridos.
A situação é agravante a ponto de haver milhares e milhões de doentes pelo mundo por conta de ilusões produzidas, sim, é fato, pelo capitalismo e seu mercado sem limites, onde tudo se produz para que a lógica da compra e venda funcione. Por isso a economia mundial é um crime organizado, onde a morte do SER é aceita, contanto que a lucratividade de minorias permaneça e que esta classe detentora dos meios de produção, principal geradora da alienação através de todos os instrumentos de dominação que detém, se perpetue no poder.
A dor, a infelicidade e a sensação de incapacidade se alastra então e a superação das doenças físicas e mentais que envolvem esta busca incansável pela beleza, um dos fatores disseminados pela lógica do capital de valorização extrema das aparências e da venda dos meios de se chegar a ela, se torna um martírio na vida das pessoas. É necessário então a expressão do que é real, do que é o mundo real, as pessoas reais, a vida real, as condições reais, para que saiamos desta ilusão que nos cerca e bate a nossa porta desde o nascimento e para que a humanidade tenha chances de se olhar menos por fora e mais por dentro. Devemos então travar uma luta necessária diariamente em defesa da vida no seu sentido mais amplo, profundo e emancipado de ser, onde todos possam ser donos de seus corpos e mentes, não necessitando mais servir a uma lógica imposta do que se deve ser, mas sim aceitando o que se é, buscando evoluir interiormente e se emancipando como humano e animal, que sim, somos.
Por isso a atuação de todos via tomada de consciência coletiva e expressão das consequências que este mundo de ilusões e aparências traz ao indivíduo e as sociedades é de extrema importância, bem como a união de forças para combater estes males que nos atacam constantemente para que sejam combatidos, pois somente assim as vidas que estão para nascer e crescer poderão estar num mundo melhor, mais igualitário e feliz e assim sanar essa infernal degradação do espírito humano a qual estamos inseridos.
Segue uma canção atual que expressa um pouco o que é esta infelicidade de ter que servir á beleza imposta pelo padrão social atual, da cantora Beyonce, chamada Pretty Hurts.

"Não é nenhum médico ou terapêutico que pode tirar a dor,

A dor está dentro e ninguém te liberta de seu corpo.
É a alma, é a alma que precisa de cirurgia
É a minha alma que precisa de cirurgia
Sorrisos de plástico e negação só pode levá-lo para longe
E você quebra quando assina os papéis no escuro,
Você deixou um espelho quebrado,
E os cacos de uma menina bonita.

A beleza dói,
Brilha a luz sobre o que é pior
A perfeição é a doença de uma nação
A beleza dói,
Brilha a luz sobre o que é pior
Tentando consertar algo
Mas você não pode consertar o que você não pode ver
É a alma que necessita de cirurgia".