26 de jun. de 2018

Sobre a Teoria do Capital Humano (TCH)

"Por isso que a teoria do "capital humano" não consegue responder à questão: os países subdesenvolvidos e os indivíduos pobres e de baixa renda assim o são porque têm pouca escolaridade ou têm pouca escolaridade porque são subdesenvolvidos e pobres? Somente uma análise histórica da escravidão, do colonialismo e do imperialismo, por um lado, nos evidenciaria que os países que têm menos escolaridade são aqueles que foram submetidos a um ou a todos estes processos. Por outro lado, quando examinamos quem, no Brasil, por exemplo, é analfabeto ou não atingiu mais que quatro anos de escolaridade, vemos que é a grande massa de trabalhadores de baixa renda.

Daí que uma análise histórica nos permite afirmar exatamente ao contrário da ‘teoria do capital humano’: a baixa escolaridade nos países pobres deve-se a um reiterado processo histórico de colonização, relações imperialistas e de dependência mantidas por uma aliança de classe entre os países centro-hegemônicos do capital e da periferia. E o acesso desigual e a um conhecimento desigual para os filhos da classe trabalhadora, igualmente, deve-se a uma desigualdade estrutural de renda e de condição de classe"

(Frigotto, 2009)



24 de jun. de 2018

Marx & Engels


"As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, ou seja, a classe que é o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios para a produção material dispõe assim, ao mesmo tempo, dos meios para a produção espiritual, pelo que lhe estão assim, ao mesmo tempo, submetidas em média às ideias daqueles a quem faltam os meios de produção espiritual. As ideias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como ideias; portanto, das relações que precisamente tornam dominante uma classe, portanto as ideias do seu domínio. Os indivíduos que constituem a classe dominante também têm, entre outras coisas, consciência, e daí que pensem; na medida, portanto, em que dominam como classe e determinam todo o conteúdo de uma época histórica, é evidente que o fazem em todas a sua extensão, e portanto, entre outras coisas, dominam também como pensadores, como produtores de ideias, regulam a produção e a distribuição de ideias do seu tempo; que, portanto, as suas ideias são  as ideias dominantes da época". (p.56)


- A Ideologia Alemã - Marx & Engels

3 de jun. de 2018

Psicanálise...

"Mas como você se sente sobre isso? - perguntou o psicanalista ao seu paciente. Talvez ele não saiba, ainda, responder.

Angústia sem nome, mas tão sem nome que pode ser chamar pânico? Tão comum nos dias de hoje. Mas o que pensar sobre?
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Embora o ataque de pânico costume durar alguns minutos, para quem o sente parece uma eternidade. Além das manifestações físicas de alerta, como sensação de sufocação, tontura, sudorese, tremores e taquicardia, enjoos, os pacientes com transtornos de pânico geralmente têm a sensação de morte.
Um paciente que vive o pânico acaba vivendo uma constante ansiedade derivada da preocupação sobre quando e onde o próximo ataque irá ocorrer.
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Os ataques podem aparecer sem desencadeantes ambientais ou intrapsíquicos aparentes, contudo, em análise se pode levar o paciente a uma maior reflexão e percepção sobre sua angústia. Expectativas demais? Sentimento de desamparo? Perdas? Todos são relatos comuns quando se trata do assunto.
Muitas das perdas citadas ainda podem ser associadas a experiências da infância, nas quais o vínculo com um dos pais é vivido como ameaçador ou crítico. São vividas então dificuldades em se sentir seguro, "amparado". Uma separação materna precoce ou vivências de privação são também relatos comuns desses pacientes.
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Sentem dificuldades em sentir e viver alguns sentimentos como a raiva, temendo destruir o que tenta se construir. Lidar com a dependência/independência é algo complicado, afinal suas bases não costumam ser tão seguras. E como dói perceber isso!
Talvez seja mais fácil para o paciente lidar com o adoecimento recorrente, seja pela angústia ou somatizações constantes, do que com as percepções da própria vida.
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Por isso o trabalho da psicanálise busca estar ali com o paciente para que ele possa viver suas angústias."