10 de fev. de 2024

De um dia de 2020.

SER MULHER E SER QUEM SE É

Estou esgotada.
Por este ano caótico, claro. Mas principalmente por ainda precisarmos dizer o óbvio.
É esgotante a carga que uma mulher carrega, e ainda mais, como classe trabalhadora e com as condições materiais limitadas por isso. Pela culpa que trazemos de imposições e vozes conservadoras e machistas da nossa cabeça - que já foram da vida real em algum momento - dizendo "Não, você não deve ir longe; não deve falar mais alto; não deve se expor; não deve fazer 'coisa de homem'; não deve deixar sua família, não deve envolver com política... etc, etc."

NÃO DEVE. Quantos "não deve" uma mulher tem que ouvir na vida e contra quantos precisa lutar para chegar onde gostaria? Quantas desvalorizações passamos no percurso? Quantas objetificações enfrentamos por nossos CORPOS? Como se não fossemos nada mais que eles. Quantas mágoas carregamos desses momentos? Quantos sorrisos damos, enquanto queremos chorar?

Casos como o da Câmara de SP desta semana são frequentes. Abusos e assédios são frequentes, em tantos lugares. Inclusive dentro de nossas próprias famílias, amizades e relacionamentos. E o que somos incentivadas a fazer? A CALAR. O silêncio que mata.

Em resumo, ser mulher é não ter paz e estar em constante batalha, embora queiram romantizar nosso ser. Por isso, FALEM MULHERES, gritem, chorem, se expressem de algum modo, se apoiem, mas sejam quem são. Por si mesmas.

Saúdo aos que estão nessa luta, lado a lado, por uma sociedade mais igualitária e humana. Aqui me refiro ao gênero, mas a questão CLASSE E RAÇA, precisam estar imbricadas nesta tomada de consciência individual e coletiva dos privilégios e das desigualdades que vivemos. A responsa pela construção de novas consciências é de cada um, o tempo todo.

E você, de que lado está?

Escrito em dezembro de 2020, mas continua fazendo sentido.

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